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Belém pode ser a primeira capital brasileira a erradicar o analfabetismo até 2024
19/09/2021 08:32 em Notícias

Com informações da Uepa

Plano Municipal de Alfabetização de Belém será apresentado neste domingo, centenário do educador e filósofo Paulo Freire

Neste domingo, 19 de setembro de 2021, centenário do professor e filósofo Paulo Freire, patrono da educação brasileira, Belém conhecerá o Plano Municipal de Alfabetização. Uma das metas desse plano é que a cidade seja a primeira capital a erradicar o analfabetismo até 2024. Vários eventos vão acompanhar a apresentação do plano, como a  marcha cultural Belém - Cidade Alfabetizada e Educadora.

João Colares da Mota Neto, professor da Uepa, é o representante das Instituições de Ensino Superior (IES) no Grupo de Trabalho (GT) instituído pela portaria municipal 001/2021, constituído pela Secretaria Municipal de Educação, Movimentos Sociais e outras IES. O objetivo do GT — instituído como política de governo municipal do prefeito Edmilson Rodrigues — é promover a alfabetização em Belém e declará-la como território livre do analfabetismo, a partir da execução do plano municipal.

Colares ressalta que a erradicação do analfabetismo é a primeira diretriz do Plano Nacional de Educação (2014-2024). "Com essa iniciativa, Belém pode ser a capital brasileira que conseguirá alcançar essa meta até 2024". Ele também avalia a participação da Uepa, ao afirmar que "...quando a Universidade envolver seus alunos nesse projeto, como alfabetizadores que vão aonde o povo está, ela também será reconhecida como uma instituição alfabetizadora".

Quando houver a seleção dos bolsistas, os estudantes da Uepa poderão alfabetizar as pessoas em ambientes não formais de aprendizagem, como barracões de escolas de samba, terreiros, salões paroquiais, entre outros. Estar onde o povo está e incorporar a vivência dos aprendizes ao processo de ensino, vai ao encontro do método de alfabetização proposto e praticado por Paulo Freire, ao defender que alfabetizar não significa ensinar a ler e a escrever; representa um ato que leva em conta a leitura de mundo, o engajamento social e a ação política.

Na obra "Pedagogia da Indignação: Cartas Pedagógicas e Outros Escritos", composto por cartas escritas pouco antes de morrer, em maio de 1997, Paulo Freire afirma que "o exercício de pensar o tempo, de pensar a técnica, de pensar o conhecimento enquanto se conhece, de pensar o quê das coisas, o para quê, o como, o em favor de quê, de quem, o contra quê, o contra quem, são exigências fundamentais de uma educação democrática à altura dos desafios do nosso tempo".

"Quando li os textos de Paulo Freire, era o que queria para a vida: educação", diz doutorando em Portugal

O educador e doutorando paraense Huber Kline, que está estudando em Portugal e em contato com o Instituto Paulo Freire, diz que o legado do patrono da educação brasileira pode, sim, garantir a meta de tornar Belém a primeira capital livre do analfabetismo até 2024. Na Europa, ele segue nos estudos para a educação de surdos, linha de atuação e pesquisa dele.

"Quando li os textos de Paulo Freire pela primeira vez, no curso de Pedagogia, eu disse: é isso que quero para minha vida, a educação. Os ensinamentos de Paulo Freire seguiram na minha especialização, no meu mestrado e agora no doutorado. Toda essa base se concretiza na área que atuo, na educação de surdos", afirmou o pesquisador paraense.

Para que a meta seja alcançada por Belém, analisa Huber Kline, os educadores e gestores vão precisar ser ousados e lutar com compromisso, ética e amorosidade. Tudo dentro das bases freirianas. "O pensamento de Paulo Freire era trabalhar a educação a partir do amor, da esperança e do diálogo, principalmente com educandos em situação de vulnerabilidade. Um plano de alfabetização que tenha como base esse educador brasileiro, tem possibilidade de alcançar as metas propostas", conclui.

O centenário de Paulo Freire motiva uma série de atos que, além de celebrarem a vida e as contribuições intelectuais do educador, têm o objetivo de fortalecer os princípios democráticos e humanistas que fundamentam o fazer e o saber de bases freirianas. A  concentração da marcha será na Escadinha da Estação das Docas, às 8h, para seguir com o cortejo em defesa do legado de Paulo Freire até a praça da República. Os participantes são convidados a levar um livro na mão, para ser usado com um símbolo e também para ser doado, se possível.

 

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